sexta-feira, dezembro 29, 2006

Um 2006 cheio de aventuras…o que nos reservará 2007?

Ora tivemos um ano como à muito não víamos, cheio de acção.

Tivemos o agravamento do preço do petróleo que tanta tinta fez rolar nos meios de comunicação e tanta preocupação nos deu a todos, sobretudo, fez-nos, de novo, pensar naquele “pequeno” problema da sustentabilidade desta sociedade impulsivamente consumista.
Um ano de grandes fusões e aquisições por todo o mundo e que tem sido especialmente frutuoso no nosso “cantinho à beira-mar plantado”. Uma subida incrível do PSI-20, em grande parte devido à corajosa OPA do grupo de Belmiro Azevedo sobre o gigante PT e do Millenium BCP sobre o BPI.
Estes, sem dúvida, puseram a nu mais uma das grandes deficiências das nossas instituições de regulação, sobretudo a dirigida por Abel Mateus, deixando rolar meses a fio até dar uma opinião. Curioso que, na vizinha Espanha, o pedido de consulta da TAP à Autoridade da Concorrência Espanhola sobre a aquisição da Portugália foi respondido em menos de um mês. Mais um exemplo de como se devem fazer as coisas.

No que toca a política, vimos a eterno candidato à Presidência da República, Cavaco Silva, a finalmente avançar para o cargo e a ganhar. Desde então, vemos o “amor” deste com o nosso primeiro-ministro tornar-se cada vez mais forte, afirmando publicamente a sintonia estratégica existente entre ambos. Por outro lado, vemos uma direita em total confusão e sem líder, com Marques Mendes sem o conseguir exercer e um PP em autêntica “guerra civil”.
É também o ano onde se viu o voto de não confiança no presidente Bush, através das eleições para o Senado norte-americano, onde os americanos fizeram valer o seu descontentamento, visível nos obtidos pelos Democratas. Paradoxalmente, viram-se regimes autoritários a continuarem no poder, como foi o caso de Hugo Chávez.

Voltando ao “nosso” Portugal, desportivamente, temos o quarto lugar da selecção nacional no Campeonato do Mundo de Futebol, após brilhante prestação dos jogadores portugueses, apesar de todos os casos. Também Vanessa Fernandes continuou a sua saga vitoriosa no triatlo, dando maior visibilidade a esta modalidade e contribuindo, também, para o orgulho nacional.

Por tudo isto e muito mais que aconteceu no nosso país e a nível internacional, este ano, que esperar de 2007?

Ora, veremos, à boa maneira portuguesa, o arrastamento dos processos judiciais mais mediático e sem fim à vista, sendo o “Apito Dourado” e “Casa Pia” os mais visíveis.
Espera-se a continuação da boa prestação reformista do governo socialista e, finalmente, alguns resultados mais visíveis de tudo o que tem vindo a ser desenvolvido. O reformar da direita, de modo a finalmente se tornar numa Oposição a que se digne esse nome, construtiva.
Ir-se-à ver o real impacto do Protocolo de Bolonha no nosso Ensino Superior e até que ponto o irá melhorar.
Enfim, as lutas sociais irão sempre existir como já nos habituamos.

Em suma, esperemos que 2007 seja uma ano de recuperação económica mais acentuada e que finalmente se veja Portugal a saber ser um povo inteligente na maneira como explora tudo o que tem e pode oferecer.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Empreender....seremos capazes?

Como todos sabemos, o nosso país necessita cada vez mais de evoluir, tornar-se mais produtivo, acima de tudo, criar valor para o país.

Ora para se criar valor, há que haver inovação, procura de algo novo, de um nicho de mercado e aproveitá-lo. Nesse sentido, a personagem do empreendedor é fundamental.

O Empreendedor é aquele que “se dedica a geração de riquezas, seja na transformação de conhecimentos em produtos ou serviços, na geração do próprio conhecimento, ou na inovação em áreas como marketing, produção, organização, entre outras” (Wikipédia).

Deste modo, o empreendedor, de modo a poder actuar, deve ter um ambiente favorável, onde haja incentivo a fazê-lo. Será que temos, no nosso país, esse incentivo?

Se pensarmos, verificamos que no nosso país, aquele que arrisca na busca da criação de valor é visto de duas formas:

 Se não é bem sucedido, é um fraco que não consegue gerir um negócio
 Se é bem sucedido, é porque roubou alguém ou está metido em negócios ilícitos e obscuros.

Mais uma vez, a cultura portuguesa toma a parte pelo todo, isto é, embora tenhamos verificado casos de fraude, negócios ilícitos, entre outros, estes são apenas uma quota-parte muito pequena.
A juntar a isto, vemos que quando uma pessoa em sucesso, outros “invejosos” ao invés de aplaudirem o sucesso do outro, fazem o possível para o deitar a baixo.

Vejamos os Estados Unidos, pelo menos neste caso. Nesse país, os empreendedores são vistos com grande respeito e admiração, quer falhem, quer tenham sucesso.

Está na altura de o nosso país deixar estes “costumes” que não nos ajudam em nada, muito pelo contrário. Estando nós numa altura em que temos cada vez mais de inovar num mundo globalizado e onde tudo chega à maturidade tão rapidamente.

Seremos capazes de mudar o rumo deste país?

Mais uma vez vemos uma daquelas notícias a que, infelizmente, o português se habituou a ver.

Portugal tem vindo a testemunhar uma descida constante do seu poder de compra (em paridades do poder de compra(PPP)), segundo dados do Eurostat.

A que se deverá tudo isto?

Provavelmente o passado recente tem grande peso. A crise pós-11 de Setembro, morosidade na adaptação do Estado ao novo ambiente económico internacional, sucessivos desastres políticos, mau aproveitamente de fundos comunitários, entre outros.

Contudo, existem uns quantos factores ocultos que detêm, talvez, a maior fatia deste bolo. Basta olharmos para as características intrínsecas do nosso povo, o dito povo do desenrasca. Sem dúvida que é uma característica formidável em tempos de apuros, mas será boa num ambiente em que se exige planeamento a longo prazo?

Vejamos, além disto, a aposta dos governos passados. Sem dúvida que a construção de estradas e autoestradas é bom para a mobilidade nacional, mas será que uma aposta de qualidade na educação não seria mais proveitosa, ou na criação de infraestruturas produtivas (como atração de IDE, aposta na criação de institutos de I&D, pólos industriais, apoio ao desenvolvimento e aumento da competitividade nacional)?

Enfim, o que sofremos e que mais recentemente vem demonstrado nesta notícia é fruto de erros passados com os quais já devíamos ter aprendido mas que, no entanto, persistimos em cometer no presente.

Será que nunca iremos aprender?

Com os recursos que temos, tanto naturais (longa costa marítima, paisagens lindíssimas, ambiente ameno), como culturais (muitos monumentos de qualidade, uma história riquíssima), temos hípótese de nos tornarmos bastante produtivos e ricos, evoluindo sustentávelmente.

Esperemos para ver o que nos aguarda.