Ora tivemos um ano como à muito não víamos, cheio de acção.
Tivemos o agravamento do preço do petróleo que tanta tinta fez rolar nos meios de comunicação e tanta preocupação nos deu a todos, sobretudo, fez-nos, de novo, pensar naquele “pequeno” problema da sustentabilidade desta sociedade impulsivamente consumista.
Um ano de grandes fusões e aquisições por todo o mundo e que tem sido especialmente frutuoso no nosso “cantinho à beira-mar plantado”. Uma subida incrível do PSI-20, em grande parte devido à corajosa OPA do grupo de Belmiro Azevedo sobre o gigante PT e do Millenium BCP sobre o BPI.
Estes, sem dúvida, puseram a nu mais uma das grandes deficiências das nossas instituições de regulação, sobretudo a dirigida por Abel Mateus, deixando rolar meses a fio até dar uma opinião. Curioso que, na vizinha Espanha, o pedido de consulta da TAP à Autoridade da Concorrência Espanhola sobre a aquisição da Portugália foi respondido em menos de um mês. Mais um exemplo de como se devem fazer as coisas.
No que toca a política, vimos a eterno candidato à Presidência da República, Cavaco Silva, a finalmente avançar para o cargo e a ganhar. Desde então, vemos o “amor” deste com o nosso primeiro-ministro tornar-se cada vez mais forte, afirmando publicamente a sintonia estratégica existente entre ambos. Por outro lado, vemos uma direita em total confusão e sem líder, com Marques Mendes sem o conseguir exercer e um PP em autêntica “guerra civil”.
É também o ano onde se viu o voto de não confiança no presidente Bush, através das eleições para o Senado norte-americano, onde os americanos fizeram valer o seu descontentamento, visível nos obtidos pelos Democratas. Paradoxalmente, viram-se regimes autoritários a continuarem no poder, como foi o caso de Hugo Chávez.
Voltando ao “nosso” Portugal, desportivamente, temos o quarto lugar da selecção nacional no Campeonato do Mundo de Futebol, após brilhante prestação dos jogadores portugueses, apesar de todos os casos. Também Vanessa Fernandes continuou a sua saga vitoriosa no triatlo, dando maior visibilidade a esta modalidade e contribuindo, também, para o orgulho nacional.
Por tudo isto e muito mais que aconteceu no nosso país e a nível internacional, este ano, que esperar de 2007?
Ora, veremos, à boa maneira portuguesa, o arrastamento dos processos judiciais mais mediático e sem fim à vista, sendo o “Apito Dourado” e “Casa Pia” os mais visíveis.
Espera-se a continuação da boa prestação reformista do governo socialista e, finalmente, alguns resultados mais visíveis de tudo o que tem vindo a ser desenvolvido. O reformar da direita, de modo a finalmente se tornar numa Oposição a que se digne esse nome, construtiva.
Ir-se-à ver o real impacto do Protocolo de Bolonha no nosso Ensino Superior e até que ponto o irá melhorar.
Enfim, as lutas sociais irão sempre existir como já nos habituamos.
Em suma, esperemos que 2007 seja uma ano de recuperação económica mais acentuada e que finalmente se veja Portugal a saber ser um povo inteligente na maneira como explora tudo o que tem e pode oferecer.